O Campeonato Nacional de XCO disputou-se em Moreira de Cónegos, terreno já habitual pelas várias vezes que foi palco de Taças de Portugal. Um percurso técnico, com muita terra solta, muito pó preto, fisicamente exigente entre muitos outros aspectos que o caracterizavam. Inicialmente tinha muita subida e a sua parte final era composta por descidas (de antigas pistas de Downhill).
«Foi um dia de muitas surpresas. Aproveito para dizer que fiquei radiante quando vi o Sérgio Valente a ganhar em Veteranos A. Há 18 anos que ele tentava ganhar esta camisola com a bandeira de Portugal e desde que vim para o XC ele sempre foi uma referência para mim daí ter ficado tão contente com a sua vitória.

Outra pessoa que me emocionou bastante por ter ganho foi o meu colega de equipa João Fernandes em cadetes. Durante a Taça de Portugal sempre festejámos as vitórias juntos: quando eu ganhava ele ganhava e vice-versa, sempre foi muito humilde e trabalhador, por isso foi bem merecida esta camisola.

Também felicito a Ana Tomás pela sua brilhante época e pela concretização do seu sonho: a camisola. Assim como fiquei muito feliz por todas as atletas femininas que continuam aqui neste desporto fantástico que é o BTT.
É com especial carinho que saliento uma grande atleta pela qual tenho muita consideração, chama-se Deolinda Carracena. É uma veterana no BTT, uma mulher com uma técnica, uma força da natureza e uma coragem como à poucas. A ela devo um grande obrigado por todo o apoio que me deu e tem dado, é sem dúvida alguma uma grande e especial amiga.

Quanto a mim, as expectativas eram muitas, seria a principal candidata ao título visto que tinha ganho a Taça e a minha prestação nas corridas continuava a ser favorável. No entanto, naquela semana sentia-me muito cansada, consequência ainda da Taça de Portugal em Loulé e dos Campeonatos Nacionais de Estrada.
O comissário apitou para a partida e eu que até costumo ter um arranque bem explosivo isso não aconteceu, o meu corpo não respondia. A Joana esteve sempre na liderança da corrida, pelo que me disseram sem apresentar desgaste, sujidade ou respiração pela boca (facto que me surpreendeu). Nas primeiras voltas ela ganhava uma vantagem de cerca de um minuto a subir e, na descida eu recuperava 30seg.

Notei a minha condução um bocado inconsciente ao contrário do que é habitual. Costumo ter uma melhor concentração a descer e uma cadência certa a subir o que na se verificou. Cometi alguns erros inclusive cai 2 vezes mas lutei sempre até ao fim. Dou os meus sinceros parabéns à Joana. Não vou esconder que fiquei bastante triste, nem no pódio consegui parar de escorrer lágrimas dos olhos…

A derrota é uma componente normal do desporto, geralmente “perde-se mais vezes do que se ganha” e para alcançar boas vitórias é sempre necessário passar por algumas derrotas. Tudo passa por um processo de aprendizagem onde é preciso analisar as possibilidades, os comportamentos e preparar para novas etapas, e claro melhores resultados!»